O Superior Tribunal de Justiça manteve decisão favorável à PGFN em disputa envolvendo amortização/dedução de ágio interno, impedindo que a Viação Cometa (Grupo JCA) aproveitasse o ágio registrado em incorporação reversa realizada entre sociedades do mesmo grupo econômico, com reflexos na apuração de IRPJ e CSLL.
O que é o ágio interno (em termos práticos)
Ágio é a diferença paga na aquisição de uma empresa em razão da expectativa de rentabilidade futura. Quando esse registro decorre de operação dentro do próprio grupo societário, costuma-se chamar de ágio interno — tema recorrente em autuações e discussões de planejamento tributário.
Por que a empresa perdeu no STJ
No julgamento, o relator Min. Marco Aurélio Bellizze destacou que os elementos do processo não eram suficientes para comprovar o pagamento efetivo do preço que teria dado origem ao ágio. Como a revisão dessa conclusão exigiria reexame de provas, o STJ aplicou a Súmula 7 e manteve a decisão do TRF3 contrária ao contribuinte.
A PGFN sustentou, ainda, a tese de que a estrutura teria sido montada como planejamento tributário abusivo, sem efetiva transferência de recursos financeiros — o que, na visão fazendária, compromete o pressuposto da amortização.
O que essa decisão sinaliza para empresas
Embora a discussão sobre ágio interno tenha nuances (especialmente em operações anteriores à Lei 12.973/2014), a decisão reforça um ponto prático: sem substância econômica e comprovação financeira robusta, o risco de glosa e derrota no contencioso aumenta significativamente.
Checklist de atenção (antes de reestruturações)
trilha documental do pagamento (transferência real de recursos);
racional de negócio demonstrável além do efeito fiscal;
laudos/avaliações e governança interna coerentes;
consistência contábil e jurídica do desenho da operação.
Conteúdo informativo. A viabilidade e os riscos dependem do desenho societário, do período da operação e das provas disponíveis.





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